Resumo hist da arte 11? e 12?

Resumo hist da arte 11? e 12?

_Introducao a HCA _A producao artistica A actividade artistica e uma constante na historia da humanidade. E permanente em todas as epocas e sociedades e e uma forma de o homem se transcender, de buscar a plenitude existencial. A arte e exclusiva do ser humano. Apesar de nao ser nenhuma necessidade fisica ou biologica, e necessaria. E espontanea, traduzindo-se numa emergencia espiritual da producao do ser humano no mundo. A producao artistica e o trabalho sobre materias e materiais, atraves de diversas tecnicas e instrumentos, com o intuito de configurar formas, figuras, espacos.

E no fundo e este trabalho que fascina, independentemente de conhecermos ou nao o contexto da obra. Ela adquire uma vida propria que a torna intemporal. Mas, no fundo, acaba por ser uma visao da realidade social ou pessoal do artista. O passar do tempo modificou, obviamente, os modos de formar/representar: assistiu-se a uma evolucao, que passou pela imposicao de canones ate a libertacao progressiva das normas. No entanto, a essencia da arte manteve-se: representar e exprimir a substancia invisivel e subjectiva do ser interior que constitui o homem. A linguagem da arte O homem, atraves da producao artistica, reteve o que viu, o que pensou. A organizacao com

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que o fez (atraves de simbolos, sinais, signos, manchas, linhas, formas) deu origem a uma linguagem: a linguagem da arte. Assim, como linguagem, a arte pode ser entendida como veiculo de comunicacao entre o artista e o publico. Qualquer obra de arte tem implicita uma intencao de transmitir informacao, que se traduz em signos. A organizacao destes signos, agrupados num sistema, constituem a linguagem e transmitem informacao.

Desta maneira, deve entender-se que a arte inclui uma componente comunicativa. Toda a comunicacao tem como elemento essencial a mensagem. Para que esta seja transmitida adequadamente, e necessario que o destinatario conheca os codigos, neste caso, a linguagem da arte. Em cada obra, reconhece-se essa linguagem; no entanto, e resultante do artista e do seu contexto (condicionantes). Por um lado, a fruicao estetica, a sensibilidade e percepcao sao um meio de acesso a mensagem/obra.

Todavia, para se compreender, precisa-se de mais do que a sua composicao formal: e necessario analisar os temas representados, o seu significado no contexto historico e cultural dum tempo… O ponto de partida para o estudo da obra de arte e, entao, a recriacao estetica: desmontagem dos aspectos denotativos da obra (dizivel) e reflexao sobre os aspectos conotativos (indizivel). Assim, o observador descobre todos os sentidos explicitos da obra, e especula sobre outros sentidos, criando, para essa obra, uma nova interpretacao. Leitura e avaliacao da obra de arte O objecto de estudo da Historia da Arte e o conhecimento historico e estetico das obras artisticas. Assim, fazem parte do estudo tanto a pesquisa historica do artista e da obra como a leitura e interpretacao do mundo visual das criacoes artisticas. As qualidades expressivas da obra (linhas, manchas… ) sao o que nos estimula em primeiro lugar. Assim, aprender a ver e compreender nao implica apenas reconhecer os codigos e linguagem utilizada.

Entao, a principal funcao da historia da arte e ler e analisar a obra de arte, interpretar a sua composicao formal, o tema desenvolvido e os significados intrinsecos. E, entao, proceder a sua caracterizacao morfologica (estudo da configuracao: formas), tecnica (processos, materiais, instrumentos utilizados na concepcao), iconografica (descricao dos assuntos, temas e motivos representados) e a sua interpretacao iconologica (analise dos significados da obra).

No entanto, tambem e importante o estudo do contexto da obra: o seu autor, a data e local de execucao, enquadramento historico, cultural e social… Desta analise advem, por adicao, a origem social e cultural do artista, a sua formacao e experiencia… A partir de todos os estudos em cima apresentados, procede-se entao a recriacao estetica da obra. Para se conseguir recriar a obra esteticamente, e necessario o recurso a disciplinas como a historiografia da arte e a teoria da arte, que descrevem os metodos de abordagem da obra e de toda a producao artistica. _Arte e Artesanato

O conceitos de arte e artesanato sempre tiveram uma relacao muito estreita: houve epocas em que estes dois conceitos se diluiram mais, outras epocas em que se distanciaram fortemente. Na idade moderna, houve, no entanto, uma caracterizacao mais solida destes conceitos: arte baseava-se em toda a criacao advinda das “belas-artes”, como a arquitectura, a pintura, a escultura, o desenho enquanto o artesanato, ou, como era designado na altura, artes menores (ceramica, tapecaria), consistia na producao de objectos mais para satisfacao pratica do que para fruicao estetica.

Entao, as artes maiores (arte) sao, primeiramente, objectos de caracter fruitivo e justificam a sua existencia em si mesmas, enquanto o artesanato nao se debruca tao preocupadamente na estetica do objecto, mas na sua utilidade pratica, na sua funcao (logo, justificam a sua existencia numa necessidade). Actualmente, considera-se que os conceitos de arte e artesanato sejam paralelos, tendo o mesmo fundamento de criacao artistica, mas os objectos artesanais nao motivando a reflexao estetica. _A origem do homem

Ha 25 milhoes de anos surgiu uma especie de macaco primitiva que habitava as florestas da Africa Austral que deu origem, ha 4 milhoes de anos, a primeira especie de hominideos, o Australopithecus, que se distinguiu de outras especies, como o chimpanze e o gorila, com a mesma origem. Apesar deste primeiro hominideo ja caminhar na vertical e utilizar as maos, ainda nao podia ser considerado um homem. Possuia maxilares e dentes fortes que lhe permitiam mastigar vegetais duros. Seguidamente, ha 2. 5 milhoes de anos, surgiu o Homo Habilis, evolucao natural do Australopithecus.

Este hominideo era carnivoro e vivia da caca e recoleccao de alimentos. Houve um desenvolvimento da capacidade do cerebro aliada a libertacao das maos, o que lhe permitiu comecar a fazer objectos simples, como armas de caca ou outros utensilios, a partir de ossos ou pedacos de madeira. Com a libertacao das maos, o transporte de objectos passou a ser feito com estas, o que libertou os maxilares. Assim estes ficaram mais adaptados a evolucao da fala. Esta capacidade permitiu aos seres Homo Habilis comunicarem entre si, ensinando-se e socializando; houve, portanto, desenvolvimento da nteligencia. Sendo fruto da evolucao da especie Homo, o Homo Erectus insurgiu, ha cerca de 1,7 milhoes de anos, com maior capacidade cerebral e de locomocao, mais aptidoes fisicas, e fez uma descoberta que iria marcar toda a historia do homem: o manuseamento do fogo. Com toda esta evolucao, o homem conseguiu expandir-se para fora da Africa, para locais mais frios, mais longinquos, contudo ainda com apenas um intento: procurar novas cacadas. Ha 250 mil anos, surgiu uma nova especie de hominideos, advinda do Homo Erectus: o Homo Sapiens.

Esta nova especie ainda era cacadora/recolectora, mas ja formava comunidades, clas, e ja dispunha de niveis de organizacao complexos, como a divisao das tarefas mais apropriadas ao sexo masculino e feminino. Mas, ha 100 mil anos, durante o Paleolitico Medio, houve uma bifurcacao da linhagem da especie Homo sapiens: ela mesma, mantendo os seus caracteres e dirigindo-se para a evolucao do Homo sapiens sapiens (do qual e exemplo o homem de Cro-Magnon), e a especie Homo sapiens Neanderthalensis (homem de Neandertal).

Este ultimo, tendo exactamente as mesmas aptidoes do Homo sapiens “normal”, era bastante diferente fisionomicamente. Devido a sua reduzida expansao geografica, o Homo Neanderthalensis acabou por se extinguir, provavelmente, no ultimo degelo da terra. Assim, manteve-se apenas o Homo Sapiens como condutor da especie humana ate ao homem moderno, do qual o exemplo mais antigo e o Homem de CroMagnon, que data de ha 40 mil anos. O Homo Sapiens Sapiens de Cro-Magnon agrupava-se em conjuntos de 25 a 40 pessoas, normalmente ligadas atraves de lacos familiares.

Era cacador/recolector, apesar de se manter durante um longo periodo de tempo numa zona de caca, que defendia de outros grupos/clas. Estes conjuntos, progressivamente, foram crescendo, ate se formarem comunidades maiores, que, entretanto, se distribuiram geograficamente pelo mundo, desde a America ate a Oceania. As primeiras manifestacoes artisticas surgiram ha 40 mil anos, com o Homo Sapiens Sapiens Aurinhacense (nao ha registos artisticos conhecidos anteriores a esta data: apenas producao de utensilios para as diversas tarefas).

Este hominideo produzia arte sob a forma de estatuetas femininas, as “Venus”, maos gravadas em negativo atraves do sopro de pigmentos sobre elas, pintura de silhuetas de animais vistos de perfil e pintura monocromatica (estas duas ultimas formas de arte sao englobadas pela definicao de arte parietal). A evolucao do Homo Aurinhacense deu origem ao Gravetense, que a nivel artistico, se manteve igual ao anterior. Mais tarde, ha 21 mil anos, surgiu o Homo Sapiens Sapiens Solutrense, que melhorou a qualidade da arte parietal, aumentando a sensacao de dinamismo e movimento nas representacoes e comecou a produzir baixos-relevos de animais.

Finalmente, ha cerca de 18 mil anos, surgiu o Madalenense, que atingiu o expoente maximo da pintura parietal atraves da pintura policromatica e da representacao de animais com grande realismo, e que produziu baixos relevos em argila com uma maior aproximacao as tres dimensoes e melhoradas estatuetas “Venus”. _Neolitico e a cultura megalitica O periodo neolitico iniciou-se aos 8000 a. C.. Com o degelo dos grandes glaciares e o aumento de temperatura, o homem assimilou-se; passou de uma vida de caca/recoleccao para uma sedentaria.

Na zona do Crescente Fertil (actual Medio Oriente), encontrou a situacao ideal para se assimilar: a presenca de terrenos ferteis, irrigados por rios de longa extensao. Comecou a produzir os seus proprios alimentos, atraves da pastoricia e agricultura e aperfeicoou as suas habilidades tecnicas. _Revolucao Neolitica Com o passar do tempo, o homem comecou a ter excedentes de producao, que deram origem ao aumento da populacao. Entao, teve de encontrar uma solucao de armazenamento de alimentos, o que o fez descobrir novas tecnicas como a olaria, cestaria e tecelagem.

Este dominio de novas tecnicas trouxe origem a producao artesanal. Paralelamente, houve homens que comecaram a distinguir-se dos outros, criando-se, portanto, uma hierarquia social. Segundo esta diferenciacao, a apropriacao de terras e bens e distribuicao dos excedentes nao era feita de modo igual. Assim, os mais poderosos comecaram a distinguir-se dos outros socialmente: por exemplo, homens mais poderosos tinham cargos como os de chefes, guerreiros, sacerdotes, enquanto os outros se dedicavam a agricultura, pastoricia, artesanato.

Na explosao neolitica, surgiram aglomerados sociais de importancia significativa, no crescente fertil: por exemplo, Jerico, Catal Huyuk e Mureybet. _O conceito de religiao para as comunidades neoliticas As comunidades neoliticas desde cedo adoptaram uma visao religiosa dos acontecimentos. Desde a incompreensao de fenomenos ate as suas preocupacoes, a resposta estava na religiao. Surgiram, assim, cultos e praticas associadas a religiao, como cultos agrarios, adoracoes a Deusa-Mae, deusa da fertilidade ligada a cultos agrarios. Os objectos artisticos eram, nesta altura, o meio de comunicacao com os deuses. _Neolitico na Europa

Na Europa, a explosao neolitica nao foi tao acentuada; passaram-se ainda 4 mil anos ate que aparecessem os primeiros aglomerados urbanos, perto do ano 5000 a. C. , com a chegada de agricultores, vindos do Mediterraneo. Todavia, as culturas europeias desenvolveram um tipo de arquitectura bastante diferente do resto do mundo: a cultura megalitica. Apesar de rudimentares, foram a primeira forma de arquitectura monumental construida pelo homem. _Monumentos Megaliticos Existem varios tipos de monumentos megaliticos, entre os quais: menir, que e uma coluna de rocha erguida em direccao ao ceu e de grandes dimensoes.

Serviu para rituais ou como forma de evocacao a fertilidade… alinhamento, que consiste em varios menires organizados segundo uma linha recta. Tal como os menires, pensa-se que serviria para rituais, culto aos mortos… cromeleque, que e um grupo de menires organizados em circulo. anta ou dolmen, que consiste numa construcao formada por rochas colocadas na vertical e uma lage na horizontal assente nessas rochas. _A arte na idade dos metais A introducao dos metais nas diversas actividades produtivas trouxe-lhes desenvolvimento: actividades como a agricultura, ceramica, tecelagem e construcao evoluiram.

A introducao dos metais tambem teve uma importancia social de destaque: o uso de armas para caca extendeu-se automaticamente para o campo da defesa de pessoas ou bens, o que despoletou o aparecimento de um novo grupo social muito poderoso — os guerreiros. A idade dos metais conduziu igualmente a novas formas de arte, tal como ao desenvolvimento das anteriores. As mais relevantes evolucoes situaram-se nos campos da arquitectura, sistemas construtivos — aparecimento de cidades —, ceramica, armas, tacas, escudos, mascaras… O tema das obras de arte, nesta epoca, estava relacionado com elementos vegetalistas e naturalismo animalista.

A arte abstratizou-se gradualmente, com o emprego de formas geometricas e simbolicas. Com o aparecimento do ouro, apareceram outras formas de arte ligadas a afirmacao de riqueza e prestigio social: a ourivesaria e a bijuteria. Os diferentes metais comecaram a ser utilizados em epocas diferentes: o cobre foi descoberto a cerca de 4500 a. C. , o bronze a 2500 a. C e o ferro a cerca de 1650 a. C. _Pre-historia em Portugal No territorio portugues ha vestigios de arte que datam do paleolitico medio e superior. Identificadas em mais de 300 localidades, pinturas rupestres cobrem todo o territorio portugues.

No entanto, locais como Escoural, em Montemor-o-Novo, Mazouco, em Tras-os-Montes e Vale do Coa, no Alto Douro, apresentam uma vastidao de vestigios artisticos de importancia consideravel. A estacao do Vale do Coa, descoberta em 1992 e a maior de toda a Europa) alberga centenas de figuras zoomorficas do Paleolitico Superior gravadas em rocha. A nivel da arquitectura pre-historica, o megalitismo desenvolve-se no pais entre 4500 a. C. e 2500 a. C.. Encontram-se com maior frequencia no Alto-Alentejo, apesar do Minho e das Beiras tambem terem alguns exemplos.

Os tipos de arquitectura mais frequentes sao os menires, alinhamentos e cromeleques e dolmens. A partir do primeiro milenio a. C. , as sociedades diversificaram-se formando estados primitivos e principados. A nivel artistico, salientaram-se as estelas funerarias e estatuas-menir. A evolucao artistica dos povos peninsulares ate a idade do ferro foi influenciada pelas invasoes indoeuropeias (1? milenio a. C. ), fenicias e gregas (sec. VIII a. C. ). Contudo, a evolucao artistica foi muito mais condicionada pelo povo Celta (indo-europeu) do que pelos outros.

Tendo-se este povo fixado na peninsula desde o sec. VI a. C. , divulgarou a cultura castreja, principalmente no norte de Portugal e Galiza. Os castros tornam-se, entao, a forma mais caracteristica de povoamento ate ao sec. I d. C.. A citania de Briteiros, em Guimaraes, e a Citania de Sanfins, em Pacos de Ferreira, sao dois importantes exemplos daquele tipo de arquitectura. A cultura castreja evidenciou-se principalmente em tres areas: na ourivesaria/ceramica, atraves da producao de rosetas, cadeias, cordas, entrancados… na arquitectura, atraves da construcao de castros, e na escultura, pelo meio da producao de berroes e das estatuas de guerreiros celto-lusitanos. Os castros eram constituidos por casas familiares, que formavam os bairros, pela casa circular, que servia para o conselho dos anciaos, e por variados espacos publicos. _Passagem da pre-historia a historia A invencao da escrita e considerada a referencia da passagem da pre-historia a historia, uma vez que o registo documental marca profundamente o futuro do Homem. No entanto, nao e apenas esta razao que leva a separacao dos dois periodos.

Coincidente com a invencao da escrita, houve uma enorme aceleracao no processo de evolucao do homem, relativamente ao passado. Basicamente, a pre-historia constitui um periodo de adaptacao do homem ao ambiente terrestre, as adversidades da vida. Na historia, e ultrapassada a revolucao neolitica, a terra e nao mais que a total imposicao do homem sobre a natureza. _Arte nas culturas pre-classicas A partir do IV milenio a. C, a regiao em volta do mediterraneo vai albergar as primeiras civilizacoes, os primeiros esforcos conjuntos do homem de grandes proporcoes.

As primeiras aparecerao na zona entre o rio Tigre e Eufrates — civilizacoes mesopotamicas — e na zona que envolve o Nilo — a civilizacao egipcia. Estas civilizacoes trouxeram uma grande novidade relativamente ao passado: criacao de religioes propriamente ditas, isto e, sistema de crencas que se regiam por codigos de conduta e pela interpretacao da realidade. A religiao foi tema principal das obras artisticas das diferentes civilizacoes. A arte estava sempre ligada ou ao culto cerimonial ou funerario. Desta maneira, evidenciava-se a dimensao sagrada nas obras.

Tal como a religiao ficou imutavel durante 3 milenios, assim ficou a arte: durante todo este tempo nao se assistiu a desenvolvimento em nenhum dos campos — se a religiao se mantinha caracteristica, uniforme e invariavel, assim se deveria manter a arte. Ambas as culturas mesopotamica e egipcia se regeram pelo mesmo conceito de representacao: a imagem deve duplicar aquilo que representa, para perpetuar, por exemplo, a vida de um morto, a oracao de um orador… As representacoes nao eram copias fidedignas da realidade; tinham, ao inves, a finalidade de destacar as caracteristicas fundamentais do objecto a ser representado. A arte no antigo Egipto A civilizacao egipcia, durante cerca de trinta seculos, manteve-se quase inalterada. Tanto a nivel religioso como politico, cultural e mesmo artistico, a civilizacao permaneceu imutavel. Com inicio do imperio antigo e o seu primeiro farao, Zozer, comecaram-se a definir as linhas de orientacao da arte egipcia (canones). A crenca na imortalidade e adoracao aos deuses impulsionou a construcao de monumentos dedicados a celebracao de rituais, como mastabas, necropoles, tumulos e piramides.

Dirigidas ao culto funerario conhecem-se as mastabas, os tumulos mais tradicionais, e as piramides, que apareceram posteriormente, com monumentalidade muito superior. Apos a sexta dinastia, o Egipto atravessou um periodo de conflitos e instabilidade politica. Depois da expulsao dos invasores pelo farao Ahmosis, iniciou-se o Imperio novo, que trouxe a primeira restruturacao religiosa. Devido a este facto, a crenca nos deuses foi reformulada, tendo-se fundido a identidade dos deuses principais (Amon e Ra) em apenas um (Amon-Ra).

Assim, o templo ve aumentada a sua importancia face ao sepulcro, uma vez que o farao ja nao e reconhecido como um filho de deus e sua morte ja nao e tao importante. Devido a todas estas mudancas, a arte sofre igualmente modificacoes. As modificacoes na arte percepcionam-se nas novas construcoes, como o Templo de Hatshepsut, e na construcao de hipogeus, camaras funerarias que vieram substituir as piramides. A construcao de outros templos tambem e de salientar: Luxor e Karnak, no centro de Tebas, sao dos maiores complexos de culto cerimonial e tinham um importante papel na religiao. _O estilo egipcio

A pintura egipcia, tal como toda a arte daquela civilizacao, manteve-se inalterada durante milenios. Constituia, na epoca, apenas um registo escrito ao servico dos reis e sacerdotes, servindo apenas de objecto materializador das crencas religiosas. As figuras nao representavam uma visao objectiva, mas uma visao conceptual, de modo a transmitirem o que simbolizavam e o que pretendiam significar. Todo o estilo egipcio tinha inerente regras ou canones muito estritas, convencoes que obrigatoriamente deviam ser respeitadas (sao estas imposicoes que permitem que pela primeira vez na historia se possa definir um estilo).

Algumas das convencoes eram a lei da frontalidade (o rosto de perfil, os olhos de frente, o tronco de frente e os pes de perfil), a hierarquizacao formal (p. e. figuras mais importantes em maior escala), a bidimensionalidade e a representacao das figuras em series lineares, sem sobreposicao. No entanto, a arte egipcia nao seguiu sempre e estritamente estas regras. Akhenaton (Amen-hotep IV, ou ainda Amenofis IV) foi um rei da XVIII dinastia que quebrou as convencoes artisticas e religiosas, tendo sido considerado um herege. No campo da religiao, introduziu o culto monoteista — culto a Aton, o disco-solar.

No campo da arte, reformulou os codigos artisticos, orientando agora as representacoes para a realidade do mundo, abandonando a rigidez basilar dos codigos anteriores. Este novo codigo artistico privilegiou o naturalismo, a expressao de sentimentos e a veracidade na aparencia do modelo — os artistas deviam ser fieis a realidade. Por exemplo, a figura humana deveria aparecer com grande realismo, respeitando a expressao e anatomia do corpo. Apesar do esforco deste farao, as normas tradicionais vieram a ser repostas por Tutankhamon, seu sucessor, ate ao declinio desta civilizacao. O realismo conceptual da arte egipcia A arte do antigo Egipto partilha duas concepcoes com a arte pre-historica, uma a nivel formal e outra a nivel do significado da arte: para os egipcios, a representacao e um duplicado equivalente ao seu original, tanto a nivel de poderes como de caracteristicas. Desta maneira, a representacao significa exactamente aquilo que representa. Desta relacao entre a representacao e o representado surge um novo conceito, evolucao desta ideia: a arte narrativa — representacao de um seguimento temporal, como a vida quotidiana.

Este significado atribuido a arte e originado pela obsessao de continuidade universal dos egipcios; a nivel de forma, os egipcios adoptam uma convencao, fundamental de todas as artes arcaicas, que exige que os corpos sejam representados mais de acordo com a logica do que propriamente com a aparencia — a lei da frontalidade. Esta forma de representar vai dar origem a um realismo conceptual, isto e, a forma tem de transmitir a ideia ou conceito que representa, tendo muito menor importancia a relacao com a imagem propriamente dita. _A Mesopotamia Paralelamente a civilizacao egipcia, na Mesopotamia desenvolveram-se varias civilizacoes.

Entre os rios Eufrates e Tigre desenvolvem-se civilizacoes como a Persa, a Babilonica(Sumeria) e a Assiria. Contudo, grandes quantidades de informacao acerca da arte e cultura destas civilizacoes nao prevaleceram ate ao presente. Apesar da proximidade geografica com o Egipto, a cultura era muito diferente. Nao havia a mesma nocao de imortalidade e continuidade inerente aos egipcios, pelo que as construcoes destas civilizacoes, que eram em grande parte feitas de tijolo cozido, eram mais vulneraveis ao passar do tempo (nao havia preocupacao na perduracao) e os tumulos eram mais modestos, nao apresentando imagens.

A regiao mesopotamica, devido a sua geografia aberta, era muito vulneravel as migracoes dos povos vizinhos, pelo que apresentava uma vasta diversidade etnica. Depois de varios seculos de lutas entre as diversas civilizacoes pela conquista daquele espaco, eis que aparece uma civilizacao, a sumeria, que apos expulsar os Gutios, domina o dito espaco. O seu rei, Ur-Nammu, retomou a construcao dos templos mais caracteristicos destas civilizacoes: os zigurates. Mais tarde, novas invasoes dos povos semitas destroem Ur.

Hamurabi, rei da Babilonia retoma o poder sobre toda a extensao mesopotamica. Os assirios, civilizacao dotada de um exercito equipado e disciplinado, retomaram o dominio da regiao. Inspirados nas obras sumerias, reinterpretaram a arte dessa civilizacao, edificando palacios, templos e zigurates em dimensoes monumentais. Nesta civilizacao, o artista era visto como propagandista do estado, tendo de aceitar as convencoes restritas impostas pelo governo. Todavia, ao contrario da arte egipcia, a arte assiria exalta o poder a autoridade como valores. Um exemplo do esplendor da arte assiria e a cidade de Ninive, capital desta nacao, que foi engrandecida com a construcao de megalomanos palacios, templos e com obras como os jardins suspensos da Babilonia e a Torre de Babel. A porta da cidade (porta de Ishtar) e tambem um dos vestigios marcantes da grandeza da arte assiria. O imperio Persa, posteriormente, acaba por dominar a Mesopotamia. Extendendo-se desde o Mediterraneo a India, constituiu o maior dos imperios, ultrapassando mesmo o Egipto em dimensao.

Influenciada por esta grandiosidade, a arte persa adquire uma nova funcao, a de transmitir todo o poder e grandeza daquela civilizacao. A arte persa vera em Persepolis o seu esplendor. O palacio desta cidade e uma sucessao de estilos e tecnicas construtivas provenientes dos imperios que absorveram, resultando num espaco arquitectonico de riqueza incomensuravel. _A arte egeia _As origens do mundo classico Entre os secs. XXVI e XI a. C. , na zona das ilhas do mar Egeu, desenvolveram-se culturas que mais tarde viriam a dar origem a civilizacao Grega.

A primeira civilizacao a desenvolver-se nesta zona habitou as ilhas Ciclades — cultura Cicladica, entre os anos 2600 e 1100 a. C.. Unidos por um traco artistico semelhante, foram uma das raizes da civilizacao helenica. A arte deste povo passa principalmente pela escultura, que se materializa em idolos cicladicos, estatuas de traco simples, esquematicas e estereis. Estas estatuas sao uma novidade para o mundo artistico, uma vez que ganham um sentido totalmente novo face as anteriormente produzidas, como as deusas-mae… Seguidamente, nasceu, a c. 2500 a. C. uma nova civilizacao, esta na ilha de Creta — os cretenses ou minoicos. Devido a ataques de outras civilizacoes que a circundavam, esta civilizacao desenvolveu uma grande frota maritima de defesa. No entanto, por causa de fortes sismos e invasoes periodicas, esta civilizacao acabou por cair, a c. 1400 a. C.. Deixou-nos, contudo, uma vasta gama artistica: ceramicas pintadas, pinturas de frescos, e, no ramo da arquitectura, fabulosos palacios construidos a semelhanca dos palacios mesopotamicos (construidos por agregacao de compartimentos) com varias funcoes, como a religiosa, economica, politica e residencial.

A nivel formal, eram constituidos por colunas troncoconicas, porticos, escadarias, patios, havia jogos luminosos por todo o palacio, e usavam-se cores quentes, como o vermelho-terra. A maior liberdade deste povo evidencia-se na perda da rigidez na representacao, tal como se via com os antigos egipcios, e na introducao da mulher em actividades religiosas e outras. A cerca de 1600/1400 a. C. , surgiu uma nova civilizacao que iria destronar a minoica — os micenicos, povo nascido do povo invasor que derrotou Creta: os Aqueus.

Desenvolvendo-se na area continental oeste da Grecia (Tracia), a sua arte foi, basicamente, uma continuacao da minoica. A Porta dos Leoes, obra escultorica, e as colunas de suporte de forma troncoconica sao evidencias desta continuidade artistica. Contudo, ao contrario dos minoicos, esta civilizacao era mais aguerrida, o que resultou na construcao de grande muralhas feitas de gigantes blocos de pedra. Os micenicos desenvolveram igualmente uma estrutura arquitectonica de extrema influencia para a arquitectura vindoura: o megaron.

Esta tipologia caracteriza-se pela existencia de tres espacos — o protyron, portico de entrada para o megaron, prodomus, antecamara de acesso ao domus, e domus, a sala com uma lareira central envolta em quatro colunas — e esta orientado por um eixo norte-sul. A civilizacao micenica tambem se distinguiu pela sua arte funebre, que consistia em grandes tumulos funerarios com uma vastidade de obras de arte como mascaras, vasos, joias e armas e ourivesaria. _A civilizacao grega _A formacao da cultura classica Com o declinio da cultura micenica, a c. 1100 a. C. devido a invasoes barbaras, o territorio tracio nao formou nenhuma cultura consistente ate ao sec. VIII a. C. ; nao deixou, portanto, muitos registos. Os povos invasores apenas se limitaram a usufruir dos recursos que as civilizacoes ate entao tinham desenvolvido, pelo que destruiram grande parte da heranca que havia ficado. No entanto, neste periodo houve um amadurecimento cultural devido a assimilacao no territorio destes novos povos. Estava, portanto, marcado o caminho para a evolucao da civilizacao grega. A civilizacao grega, nascida dum dos povos invasores — os helenos —, conheceu, a partir do sec.

VII, uma ascensao economica desmesurada. Desenvolveu-se fortemente a politica e a cultura, e a arte explodiu de uma forma totalmente nova. Relativamente a arte, os gregos exerceram uma influencia muito grande na sua orientacao na cultura ocidental. Desenvolveram canones, que eram unidades, regras e valores pre-estabelecidas para a concretizacao da obra de arte ideal. O belo so existia caso estes canones fossem aplicados, transformando a arte numa producao exclusivamente racional. A obra de arte grega era muito realista, pelo que a religiao nao a influenciou de modo algum; antes, a obra era produzida em volta de uma ordem universal.

Os gregos introduziram a perspectiva na representacao, uma novidade na arte. A arte grega era o reflexo da evolucao da civilizacao. Os objectivos da arte eram procurar a Beleza e Harmonia Universal, conceitos suportados pela filosofia (tambem introduzida por este povo). Foi esta concepcao que originou o Classicismo. _Do mito ao logos: formulacao da arte classica Entre os secs. VII e VI a. C. , a civilizacao grega desenvolveu uma cultura totalmente original: nova concepcao do homem e da sua relacao com o mundo, a descoberta da racionalidade, a logica… ieram mudar totalmente o modo de ver a vida do homem grego. A expansao da civilizacao grega atraves de colonias em todo o mediterraneo, o contacto com outras culturas e povos, o sistema politico em que assentava a civilizacao , o sistema independente que era cada cidade — as polis — e a ausencia de castas sacerdotais e poder religioso deram uma vista muito mais ampla aos gregos, dando-lhes a oportunidade de conhecer os fundamentos da sua cultura, das suas crencas religiosas… . Assim, os gregos desenvolvem um pensamento autonomo, livre de influencias religiosas, o que ira por em causa a visao mitica do mundo.

No entanto, a racionalizacao da mitologia e conseguida atraves da distincao das varias classes de individuos — deuses, semi-deuses, homens — e toda a concepcao do cosmos e feita em volta da teoria mitologica, pelo que a mitologia e aceite e divulgada por toda a civilizacao e embutida na sua cultura. _O periodo arcaico A partir do sec. VII a. C. , a cultura grega comecou a revelar-se. A data que marca o inicio da cronologia da civilizacao grega comeca exactamente neste seculo, paralelamente aos primeiros Jogos Olimpicos de sempre, em 776 a. C.. O periodo Arcaico, que se prolonga desde c. 00-500 a. C. constitui uma epoca em que os diversos territorios gregos atingiram um periodo de grande prosperidade economica, politica e um esplendor no ramo da arte. Este ultimo facto deve-se a constante multiplicacao dos centros de actividade artistica pelas diferentes cidade-estado. Todo este desenvolvimento desencadeou o aparecimento de diversas tipologias artisticas. Este periodo pode considerar-se como um renascimento da arte antiga, uma vez que vai redefinir todo o conceito e aplicabilidade da arte. A arquitectura e escultura reaparecem apostando na monumentalidade.

A arquitectura apresenta a coluna como elemento construtivo predominante, e serve de distincao as duas ordens arquitectonicas diferentes (linguagens diferentes): a jonica e a dorica. Relativamente a escultura, esta ainda se apresenta semelhante a escultura egipcia. Sobriedade, volume macico, rigidez, sao caracteristicas que sugerem o primitivismo desta forma de arte. Contudo, a intencionalidade da obra muda completamente face a anterior egipcia. A representacao das estatuas em tamanho natural e a libertacao do apoio da uma vida interior a peca. O olhar deixa de se perder no infinito, comecando a ser objectivo, tendo um lvo, um campo visual. Aparece tambem em forca a ceramica, difundindo-se na cultura. Ao contrario da civilizacao minoica da qual a civilizacao grega herdou parte da cultura, a representacao nao incidira tanto no real/natural; focar-se-a principalmente na representacao da figura humana, tema que ira perdurar por cinco seculos. _A arquitectura do periodo arcaico Durante o sec. VI a. C. , a politica consolida-se na Grecia. Toda a nacao se dividia em cidades-estado que interagiam entre si a nivel economico e social, apesar de praticarem politicas diferentes.

As maiores cidadesestado da Grecia Arcaica, Atenas e Esparta, tinham dois regimes politicos totalmente antagonicos: Atenas praticava uma democracia enquanto Esparta praticava uma oligarquia. Contudo, interagiam como uma so nacao. Todas as cidades-estado tinham uma identidade nacional, chamada koine (comunidade). Assim, praticas comuns como as celebracoes religiosas e os Jogos Olimpicos eram feitas em conjunto pelas varias cidades. No entanto, essas actividades tinham lugar fora da cidade, em lugares consagrados, onde eram construidos templos, santuarios e teatros.

Esta necessidade de construcao para estes fins deu lugar a uma grande liberdade de pesquisa na area da arquitectura, dai esta se ter desenvolvido muito durante esta epoca. A arquitectura arcaica distinguia-se consoante a ordem arquitectonica. As diferencas estavam bem patentes na coluna, cujo aspecto formal era a identidade estilistica. O tipo de edificio que mais contribuiu para a evolucao arquitectonica foi o templo. Era concebido para ser a morada dos deuses e derivava a partir do megaron micenico. Era constituido por um telhado de duas aguas, duas colunas na entrada, e uma parte interior dividida em tres seccoes.

A sua evolucao foi demarcada pela gradual uniformizacao numa planta rectangular. _O templo grego O templo grego surgiu da evolucao do megaron micenico. Estes edificios destinavam-se a morada dos deuses, pelo que a tipologia arquitectonica adoptada para albergar as divindades era o da sala mais nobre dos palacios onde os reis celebravam cerimonias religiosas. O templo grego era, como toda a construcao, susceptivel a desastres naturais ou artificiais. Quando uma catastrofe destruia um templo, era construido outro por cima, adaptado ao estilo mais apropriado a epoca de reconstrucao.

O templo desenvolveu-se, entao, atraves da alteracao progressiva do megaron micenico. Deste ultimo, foi mantida a Cella — sala da divindade — e uma antecamara que o precedia — o pronaus. Tudo o resto sofreu alteracoes: a primeira sala, o protyron, deixou de se usar… Ha, portanto, variados tipos de templo: • in Antis, composto por uma base de pedra, duas salas — o Pronaus e a Cella — e com duas colunas in Antis a porta do templo; • Tetraestilo, que recua o pronaus e adiciona colunas tanto na frente como na traseira do templo; • Periptero, que adiciona as colunas a todo o perimetro do templo, sendo que as salas interiores ficam no centro.

Aparece uma nova sala, um corredor, que leva do pronaus a cella. No entanto, ha uma tipologia que e considerada normal: tres salas, duas exteriores e uma interior — a cella —, sendo que as exteriores sao opostas relativamente a interior, colunas a rodear todo o templo e duas colunas in Antis na entrada das salas exteriores. _O periodo Classico A civilizacao grega teve, durante o periodo classico (secs. VI e V a. C. ), o seu apogeu economico, politico e cultural. A cidade de Atenas era o centro de toda esta civilizacao, comandando exercitos com outras cidades… tendo importancia decisiva na afirmacao do classicismo como ideal de beleza e no florescimento de todas as artes. Apos a vitoria dos gregos sobre os Persas nas guerras medicas, consolida-se a hegemonia ateniense e estabelecem-se regimes democraticos em muitas cidades. A arte grega atinge o expoente maximo com o apogeu do naturalismo e a introducao do canone classico na representacao do corpo humano. O ideal classico afirma a sua plenitude, alargando-se ate a organizacao/ordenamento da cidade, com Hipodamo de Mileto, intensa construcao de teatros, templos…

Durante o seculo de Pericles, que ficou marcado, entre outros, pela reconstrucao da acropole ateniense, Fidias, escultor, teve grande importancia a nivel da supervisao e reconstrucao da acropole. E pelas suas maos que o Propileus, o Erecteion, o Templo de Atena Nike e o Partenon se erguem, constituindo o auge da arte grega. _A batalha de Salamina A batalha de Salamina surge no contexto das Guerras Medicas (os inimigos dos gregos eram os medos e os persas). Os persas, que tinham um exercito enorme, uniram-se aos medos, sob o comando de Dario I, e atacaram Atenas. Foram completamente derrotados.

Dez anos mais tarde, ja com um exercito muito maior e comandados por Xerxes (filho de Dario), os persas voltaram a atacar. Uma tao grande ameaca provocou a alianca entre Esparta e Atenas. Face a desproporcao dos exercitos, os persas nao tiveram dificuldade em destruir Atenas. No entanto, Temistocles, comandante da frota Ateniense, simulou uma retirada, atraindo os barcos persas para o estreito de Salamina. Os persas cairam na cilada e acabaram por ser totalmente derrotados. Os gregos consideraram esta a vitoria da razao sobre a barbarie. Mais tarde, Pericles memoriou esta vitoria com a reconstrucao da acropole de Atenas. A cidade classica como expressao da razao O triunfo dos gregos sobre os persas reforcou a sua confianca nos seus valores culturais, principalmente no poder da razao. Desta maneira, as manifestacoes artisticas e culturais, inclusive a organizacao das cidades, vao reflectir este valor importantissimo da sociedade grega. Nos secs. VII e VI a. C. , Atenas era uma cidade cujos bairros se apresentavam mal organizados, dispersos em torno da acropole. No entanto, devido a influencia do classicismo, a cidade ganhou uma nova organizacao, baseada no principio da funcionalidade — equilibrio entre estrutura fisica e estrutura funcional.

Assim, a cidade ficou organizada segundo tres grandes areas: • area sagrada: lugar constituido pelos principais templos e santuarios, integrado na acropole; • area publica: zona dominada pela agora e que constitui o centro da vida da polis (a nivel economico, politico… ); • area privada: zona formada pelos bairros residenciais; O urbanismo classico foi estudado por Hipodamo de Mileto, que aplicou uma estrutura de ordem geometrica e racional ao desenho da cidade. Esta estrutura empenhava-se em priveligiar os principios da funcionalidade deixando a estetica para segundo plano. O seculo de Pericles O sec. V a. C. foi marcado por varios acontecimentos de grande importancia na Grecia. A evolucao e intensa actividade intelectual e artistica foram dois passos importantes, tal como o desenvolvimento e consolidacao da democracia na cidade ateniense. Contudo, esta evolucao nao foi descentralizada e desorganizada. Foi levada a cabo atraves de reformas e decisoes tomadas por Pericles, strategos de Atenas. Pericles governou Atenas apos a batalha de Salamina. Devido a destruicao causada pelos persas, a cidade precisava de uma intensa reconstrucao.

Seleccionados por Pericles, arquitectos, escultores… foram incumbidos deste trabalho. Distingue-se o nome do responsavel pela direccao da reconstrucao — Fideas —, que ajudou a reuniao de grandes artistas da epoca como Calicrates, Ictinos… O seculo de Pericles ficou marcado por obras que mudaram o mundo profundamente, tanto a nivel cultural como artistico. O Partenon, consagrado a Atena Virgem (Parthenos), e o maior templo desta epoca. Desenhado de acordo com os canones doricos, foi uma afirmacao dos metodos classicos.

Apos a conclusao deste edificio, Pericles encomendou os Propileus, as portas de entrada para a acropole, construidas de acordo com as ordens jonica e dorica. Foi construido, tambem neste local, numa plataforma junta aos Propileus, o templo de Atena Nike (437 a. C. ). Este templo era muito simples, composto por uma camara com pequenas colunas doricas. Apos a morte de Pericles, foi tambem construido, no lugar do destruido templo a Atena, o Erecteion, santuario complexo que recebia varias funcoes religiosas. _O Partenon e o templo de Atena Nike O templo de Atena Nike foi construido entre 437 e 425 a.

C.. Erguendo-se sobre uma plataforma junto ao Propileus, e uma construcao simples. E composto por tres camaras (pronaus, cella e opisthodomos) e oito colunas jonicas nas duas fachadas; e, portanto, um templo tetraestilo. O Partenon, construido entre 447 e 432 a. C. , e uma obra invulgar na sua composicao formal, devido a mistura de estilos e ordens. Nao se consegue fazer corresponder a este edificio nenhuma das fases de evolucao dos templos por ser muito proprio. E composto por oito colunas (caracteristica jonica), mas estas sao da ordem dorica.

Para a sua construcao. foi escolhido o melhor marmore, o que revela a importancia deste edificio. Todas as suas partes tem medidas racionalmente calculadas atraves da relacao entre elas e o todo. E, portanto, um reflexo da cultura classica no seu estado de arte. _A Escultura Classica No inicio do sec. V a. C. , a escultura na antiga Grecia ja notava algumas alteracoes face a pertencente ao periodo Arcaico. O abandono da rigidez, imobilidade, tal como o dominio das proporcoes, sao novidades na escultura desta cultura.

Todo o trabalho deveria orientar-se por: • a visao da obra no seu todo; • valorizar igualmente a anatomia e o movimento; • entender o corpo como um todo e nao uma soma de partes. A transicao para o classico na escultura manifestou-se sob uma grande quantidade de obras-primas que, devido a catastrofes, so chegaram ate aos nossos dias atraves de copias romanas. A nivel da expressividade, a escultura classica e mais naturalista, equilibrada e transmite mais serenidade. _O Helenismo A expansao da cultura grega continuou com as campanhas de Alexandre Magno, rei da Macedonia, pelo medio oriente.

A expansao do seu imperio levou igualmente a divulgacao de toda a arte e cultura grega. Aquando da sua morte, todo o seu imperio se desagregou, tendo o centro politico da Grecia mudado para os grandes reinos orientais, que acabaram por ser um meio de difusao da cultura grega. O Helenismo foi, entao, a ultima fase da cultura grega que se desenvolveu entre a morte de Alexandre (323 a. C. ) e a conquista de todo o territorio de cultura grega por parte dos romanos. Durante esta altura, a producao artistica servia como elemento de propaganda e era apenas dirigida aos membros mais ricos da sociedade.

Os imperios do medio oriente eram todos baseados no regime politico da monarquia (Helenistica). A cultura grega — a sua literatura, arte, pensamento — comecou a ser um objecto direccionado a distinguir as pessoas a nivel de prestigio social. Durante o Helenismo, surgiram duas vertentes de estilo: a permanencia do Classico e a vertente Naturalista. _A arte Helenistica Com a queda do imperio de Alexandre e sua consequente divisao, a arte sofreu grandes alteracoes. Cada vez mais direccionada a ser um objecto de prestigio social, a arte comeca a ser produzida em redor do gosto dos individuos mais ricos e a aproximar-se mais da realidade.

Devido ao enorme imperio que agora se dividia, aparecem variados estilos de obra de arte e a producao comeca a ser descontinua. Assim, aparecem obras variadas como “Altar de Zeus e Atena”, “Galata Suicida” e “Altar de Atalo I”. _A cidade Helenica Com a expansao do imperio de Alexandre Magno, muitas cidades nasceram, outras foram remodeladas ou reconstruidas, sendo que se pode considerar que houve um certo planeamento urbanistico. Todo esse planeamento era baseado nos estudos de Hipodamo, mas com outra definicao, sentido e dimensao. A cidade helenistica, ao contrario da classica, vai ser construida em torno de outros valores e necessidades.

A construcao de edificios que pretendem prestigiar as monarquias vao servir como objectos marcadores de poder. A nivel formal, assiste-se a um crescimento de dimensao e maior decoracao. Neste periodo assiste-se tambem ao aparecimento de novos edificios, como o teatro, o buleuterion, bibliotecas, ginasios… que serviam de suporte para a vida colectiva que estava cada vez mais importante. _A civilizacao romana _A formacao da arte romana _As herancas A civilizacao romana teve origem principalmente na mistura de caracteristicas de tres povos: os Etruscos, os Latinos e os Gregos.

Os Etruscos foram um povo que habitou a zona da Etruria (Toscania) e que atingiu o seu auge entre os secs. VII e V a. C.. Foram um povo prospero, chegando a rivalizar com os gregos na hegemonia do Mediterraneo e subjacente comercio. A organizacao politica deste povo era semelhante a grega — constituida por cidades-estado —, mas orientada por um regime monarquico. Contudo, esta civilizacao nunca conseguiu ser unida e estavel devido as constantes lutas internas. A civilizacao etrusca deixou varios testemunhos da sua presenca. Com o dominio das regioes do centro da peninsula Italica entre os secs.

VII e V a. C. , atingiu o auge cultural num periodo paralelo ao periodo arcaico grego. Apesar da forte influencia e do entranhar do helenismo na cultura etrusca, esta deixou bem patente a sua identidade. A religiao praticada pelos etruscos baseava-se no culto a deuses helenicos e toscanos, e revelava-se principalmente nos cultos funerarios, em que se realizavam libacoes e sacrificios. A religiao ocupava, entao, um papel importante na estruturacao desta cultura, o que se veio a reflectir na arte, principalmente sob a forma de obras arquitectonicas de cariz funebre.

Estas construcoes eram “tumulos-habitacao”, ou seja, eram camaras para o defunto usufruir e “habitar” apos a morte. Eram normalmente edificadas na propria rocha atraves de escavacao ou construidas, sendo que no final eram sempre cobertas por terra. A heranca etrusca revela-se na cultura romana principalmente na grande capacidade construtiva, na ambicao de realizacoes de engenharia complexas e na facilidade de adopcao e absorcao de caracteristicas de outras culturas (caracteristicas essas que acabaram unificadas num estilo proprio).

Os Latinos, outro povo que originou a civilizacao romana, detinham toda a zona em que a ultima primeiramente se desenvolveu. Fundaram, em 753 a. C. , a cidade de Roma, que depois foi invadida pelos Etruscos. Esta civilizacao desenvolveu o dialecto que foi mais tarde usado pelos Romanos, o Latim. O outro povo que modelou a direccao da arte e cultura romanas foi o grego. Inicialmente, influenciou os etruscos atraves de relacoes comerciais, com a introducao de caracteristicas do periodo helenistico da arte grega; mais tarde, atraves da absorcao da sua cultura pelos Romanos apos a conquista do territorio grego.

Desta heranca destacam-se o culto do pragmatismo, o sentido historico da monumentalidade (marcos arquitectonicos… ), o gosto pelo poder e pela opulencia e o espirito dominador. A arte romana e caracterizada, entao, pela coexistencia de caracteristicas advindas de varios lugares, o que, nao lhe concedendo uma unificacao e coerencia igualaveis as gregas, lhe proporcionou um programa artistico diversificado e interessante a varios niveis, como o da fusao da arte provincial com as formas artisticas mais elevadas provenientes da capital. _A arte etrusca A arte etrusca evidenciou-se principalmente em obras de cariz funebre, pintura e escultura.

Na arte funeraria, revelaram-se novidades relativas aos padroes anteriores. Os defuntos eram representados em cenas do quotidiano ou cerimonias rituais. Os edificios funerarios apresentavam-se como “habitacoes para a vida apos a morte”, sendo compostos por elementos de arquitectura como colunas, capiteis, que davam um ambiente mais vivo. Nas artes plasticas, consideram-se tres periodos de evolucao: a epoca arcaica, entre 720 e 400 a. C. , que se traduz em ceramicas decoradas, pinturas tumulares a fresco e esculturas em bronze; a epoca media, que corresponde a conquista romana; a epoca helenistica, que se confunde com a arte romana.

Foi na escultura que os etruscos se sobressairam mais. Dominaram a tecnica do bronze fundido, facto que se evidenciou nas excelentes obras de independencia e alta qualidade artistica, de que e exemplo “A Loba do Capitolio”. _As origens da Roma Republicana Roma foi fundada, portanto, em 753 a. C. pelos Latinos. No entanto, c. sec. VI a. C. , os Etruscos invadiram todo o territorio Latino, incluindo Roma, ficando em contacto directo com os Gregos que ocupavam a Magna Grecia (zona sul da peninsula italica). Essa proximidade deu origem a rivalidades as quais os Etruscos nao resistiram.

Aproveitando esta fraqueza, a cidade de Roma, a 509 a. C. , rebeliou-se contra os dominadores, ganhando independencia e abolindo a monarquia em prol de uma republica. Apos a revolucao, a populacao de Roma era formada por uma mistura de Latinos, Sabinos e Etruscos, organizados em instituicoes como o patriciato, o senado e a assembleia curial. Talvez esta variedade de povos a coexistirem numa mesma nacao tenha proporcionado uma das caracteristicas mais importantes daquela civilizacao: a tolerancia para com os costumes, as tradicoes e culturas dos povos dominados.

Independente e com um territorio crescente, Roma comecou a ficar mais influente. Sendo um ponto estrategico a nivel de localizacao relativamente as rotas comerciais, ganhou cada vez mais poder, iniciando entao a grande expansao territorial a que se assistiu nos seguintes seculos. O sucesso a todos os niveis de Roma permitiu o aparecimento de grandes obras publicas que enriqueceram nao so a capital da nacao como tambem todos os territorios a ela subjacentes. Estes edificios serviram de suporte a luxuosa vida social desfrutada nas cidades, que foi conseguida atraves de conquistas militares e submissao dos povos conquistados a escravatura. A arquitectura romana: o belo e o util A arquitectura romana fundamentava-se em quatro condicoes essenciais, ditadas no tratado de Vitruvio (sec. I a. C. ) no que se considera ser a primeira teoria da arquitectura formulada: firmitas — a resistencia, solidez —, utilitas — utilidade, funcionalidade —, venustas — beleza, euritmia — e decorum — decoro, dignidade. Estas condicoes vao dar coerencia da arquitectura romana. Dentro destas clausulas, uma levanta uma questao muito importante relativamente aos avancos dos romanos neste campo artistico: o decorum.

Esta condicao referia-se explicitamente a necessidade em respeitar as ordens arquitectonicas estabelecidas pela tradicao e a coerencia formal dos edificios, o que revela a grande consistencia e maturidade em que se encontrava a arquitectura romana. Ja firmitas — a resistencia — era um valor importante adoptado pelos romanos. As suas obras tinham de ser austeras, solidas e evidenciar a forca do imperio — caracteristica eminentemente helenistica. Relativamente ao utilitas — funcionalidade —, pode-se considerar que e um dos grandes avancos da arquitectura romana.

Ja nao se preocupando apenas com o aspecto exterior/fachada, os romanos deram valor ao espaco interior e a utilidade do edificio, o que se revela na organizacao do espaco interno. Obviamente, os romanos deram a devida importancia a venustas — beleza. Esta e um instrumento de comunicacao muito eficiente entre a forca romana e a plebe/outros povos. Distingue, portanto, o cuidado que esta civilizacao tem com a sua aparencia e eleva-a relativamente a “barbarie”. Os romanos introduziram igualmente novas tecnologias, tecnicas e materiais de construcao.

Uma das maiores contribuicoes a nivel construtivo foi a argamassa. Tratava-se de uma pasta que era introduzida numa cofragem — opus caementicium — ou entre as proprias estruturas de revestimento (paredes) — opus incertum. Outra inovacao foi a utilizacao sistematica do arco de volta perfeita — arco romano — e da abobada de berco — rotacao axial do arco de volta perfeita (semi-esfera). Estas duas estruturas incluem-se na condicao firmitas (sao elementos estruturais), adquirindo um simbolismo relativo a poder e designios imperiais.

Tambem foram mais um passo em direccao a construcao de edificios maiores e mais arrojados, devido a sua resistencia. Outra caracteristica importante patente nos edificios romanos e a inclusao de uma estrutura que os eleve acima do solo e de outros edificios — o podium. Esta estrutura e tambem uma referencia simbolica ao poder do imperio romano. _A pintura romana A pintura romana que se considera importante provem de Pompeia e Herculanum. Datando, na sua maioria, do sec. 1 a. C. , era produzida principalmente atraves das tecnicas de mosaico, encaustica e fresco.

A pintura no imperio romano nao foi, contudo, utilizada como obra independente; foi, antes, um elemento de valorizacao arquitectonica usado nos interiores. Usando varias tecnicas como a representacao em perspectiva, a abundancia de cores e tematicas ligadas a cultura romana (mitologia, o retrato), a pintura dava uma nova vida ao interior da casa romana (cfr. com venustas). _A escultura: o jus imaginum A escultura na civilizacao romana, tal como a arquitectura, vai importar o estilo helenistico. A admiracao por este estilo esta patente no transporte macico de obras originalmente gregas para Roma e da sua consequente copia.

Este gosto pela escultura grega e a importancia que os romanos davam a decoracao de cidades fez crescer grandes estatuas em lugares publicos, normalmente ligados a glorificacao de chefes politicos e militares importantes (caracteristica eminentemente romana). No entanto, foi um costume eminentemente romano que fez nascer o tipo de producao escultorica mais caracteristica do periodo republicano. Este costume consistia na preservacao, num relicario domestico, de uma reproducao fiel do rosto de um chefe de familia em cera aquando a sua morte. Esta tradicao so estava, no entanto, disponivel para importantes individuos, como os patricios.

Desenvolveu-se, portanto, a producao do retrato, expressao artistica totalmente alheia a grega a nivel de conceito, uma vez que a ultima apenas representava o corpo ideal, inexistente, contrariando o realismo romano. O resultado, a nivel artistico, foi a sobreposicao dos tracos do retrato fisionomico helenistico com a tradicao do culto dos antepassados romanos — o jus imaginum. Na escultura romana sobressai-se tambem uma caracteristica: a representacao do poder. Os romanos valorizavam-na, tornando-a mesmo mais importante que a propria beleza, ao contrario dos gregos.

Apesar da revolucao a nivel de conceito, a escultura romana, a nivel formal, nao apresentou mais novidades: apenas a representacao realista e naturalista em detrimento da representacao idealista. _O periodo imperial _O seculo de Augusto: a pax romana Apos a vitoria da Segunda Guerra Punica, Roma iniciou um processo de expansao que se prolongou durante todo o periodo imperial. Atraves do dominio de pontos estrategicos como a Asia Menor, a Grecia, o Egipto, Roma dominou todo o comercio mediterranico, o que lhe trouxe todas as riquezas e recursos disponiveis ate entao.

Houve, devido a estas mudancas, um processo que dividiu a arte em dois tipos: a aristocratica, dedicada aos patricios e imperadores, e a arte popular ou provincial, mais pobre. Contudo, mesmo apos esta conquista territorial, o fim da ditadura de Sila (88-79 a. C. ) deu lugar a lutas internas pelo alcance do poder, que se revelaram sob a forma de rivalidades encarnicadas e guerras civis sangrentas. No entanto, a 59 a. C. , Julio Cesar sobe ao poder, iniciando reformas a varios niveis.

Revolucionou o regime politico de Roma, regularizou o seu tracado urbanistico e deu uma nova dimensao (monumental) aos foruns. O forum romano reunia agora funcoes mercantis, politicas e religiosas. Entretanto, o imperador Augusto, que toma o poder a 27 a. C. , inicia a construcao de um dos imperios maiores da humanidade. Impedindo o poder republicano de tratar das suas funcoes, impoe o regime imperial. Devido a sua posicao de imperador (pontifex maximus) comeca, alem continuar a enorme expansao territorial, a construir grandes obras com o proposito de tornar visivel e solido o seu poder.

Acabando com as guerras civis e com as rivalidades, enceta um periodo de optimismo e estabilidade — a pax romana —, que se reflecte no aparecimento de obras literarias e outras redaccoes importantes, como o tratado De Architectura, a primeira teoria da arquitectura, redigida por Vitruvio. Em sintese, Augusto teve um grande impacto na direccao da civilizacao romana: diz-se que, na sua vinda, encontrou uma cidade de tijolo, e que quando partiu, deixou uma Roma de marmore. Algumas obras emblematicas do seu programa propagandistico e monumental sao o Ara Pacis — o Altar da Paz — e o forum. Roma e o urbanismo imperial Augusto conferiu a Roma a grandiosidade, monumentalidade e prestigio emblematicos da capital do imperio. No entanto, tudo isto nao foi conseguido apenas atraves da expansao territorial. Roma assistiu a reformas de restruturacao, reorganizacao e restauracao que sao a representacao material de todo o poder do imperador. A nivel urbanistico, Roma foi dividida em zonas e bairros para facilitar a circulacao, a administracao e outros aspectos como o combate aos incendios.

Outras cidades floresceram donde outrora havia apenas pequenos aglomerados populacionais ou acampamentos militares. Medidas reguladoras (que definem o tracado caracteristico romano) foram aplicadas a todas as novas cidades: os eixos norte-sul e nascente-poente, a malha ortogonal de ruas… _O tratado de Vitruvio Atraves de Vitruvio e do seu tratado, a c. sec. I a. C. , Augusto conseguiu estabelecer as regras de boa edificacao — solidez, utilidade, beleza e decoro —, definindo tambem um conjunto de normas tecnicas e esteticas da arquitectura romana e da actividade do proprio arquitecto.

O classicismo grego fez da arquitectura uma disciplina na qual ordem, intuicao, visao, idealizacao e simbolo contribuem para uma construcao e ordenacao racional do espaco habitavel. Este tratado de arquitectura baseia-se na arquitectura grega, pelo que devera ser entendido como uma producao greco-romana. As ordens gregas, a nocao de proporcao ideal, o ritmo dos elementos (por exemplo, o ritmo das colunas, definido pela relacao entre o seu diametro e o seu numero, ou relacionando o intercolunio) sao retomados dos canones e regras gregos.

Contudo, os romanos tambem apresentaram inovacoes ao nivel da construcao: a finalidade e funcao do edificio foram caracteristicas valorizadas e que condicionaram a estrutura e organizacao interior do edificio. Ao contrario do que se assiste na arquitectura grega, a romana vai preocupar-se com o espaco interior, sendo isto possivel com a introducao de novas estruturas construtivas como o arco de volta perfeita, a abobada de berco e as paredes facilmente articulaveis. Os interiores na arquitectura romana apresentavam-se, entao, como espacos confortaveis, grandiosos, decorados conforme o ambiente que cada espaco requer.

Outras caracteristicas dos edificios romanos sao a sua monumentalidade (que era conseguida atraves, por exemplo, de um podium em que assentava todo o edificio) e a simetria da composicao dos alcados e significam o equilibrio e dignidade que nos edificios se relaciona com o espaco urbano em que se inserem. A nivel de tipologias arquitectonicas, ha uma grande variedade destas: de uso publico temos, por exemplo, os templos; civis temos as termas, estudios, circos, anfiteatros, teatros, foruns, basilicas… _Ara Pacis — o Altar da Paz O monumento mais importante erguido por Augusto foi o Altar da Paz.

E o emblema do periodo que Augusto iniciou — a pax romana — e segue o modelo helenistico do Altar de Zeus e Atena, em Pergamo. Este monumento nasceu da necessidade de edificar uma obra que consagrasse o estado e a prosperidade do imperio. Erigiu-se, entao, um volume paralelepipedico, com uma decoracao distribuida em dois niveis — o interior, uma decoracao com motivos vegetais; o exterior, um alto relevo de uma procissao protocolar do imperio, com Augusto como protagonista — e com um altar no centro do seu interior. _Panem et Circences

Nos primeiros seculos do imperio, a inexistencia de guerras e conflitos internos e externos e o prospero desenvolvimento permitiram uma paz social aparente e um relativo bem-estar para o patriciado. O sec. I d. C. foi o “seculo do pao e do circo”, uma vez que a satisfacao dos romanos passava apenas pela existencia de alimento e espectaculos no circo. Roma viveu, entao, durante este seculo, uma estabilidade que perdurou durante o periodo imperial. As geracoes que se seguiram a Augusto apenas continuaram o seu trabalho: consolidar o imperio, perpetuar o classicismo imperial e enriquecer a capital do imperio com monumentos e edificios.

Esta estabilidade ficou marcada na arte atraves de varios edificios emblematicos: o Coliseu, com uma capacidade de 50 000 pessoas e que caracteriza sinteticamente a megalomania na arquitectura romana, e os Arcos do Triunfo, o desenvolvimento de uma estrutura utilizada no periodo republicano para uma edificacao solida e monumental (conseguida atraves da substituicao da madeira por pedra e do aumento de dimensoes) que simbolizava as vitorias do imperio face aos inimigos (tendo, portanto, uma funcao comemorativa). _Urbi et Orbi

Em 98, o imperador Trajano toma posse do poder, iniciando uma nova dinastia e inaugurando um novo sistema de sucessao (adopcao substituindo a filiacao). Com este imperador, Roma atinge o seu auge territorial, dominando quase toda a Europa, uma grande extensao no norte de Africa e uma importante zona no Medio Oriente. Roma domina, portanto, o mundo conhecido. E com esta grandiosidade, o imperador constroi realizacoes no campo da arquitectura e urbanismo que marcaram a capital do imperio, entre as quais o Forum de Trajano.

O ultimo, construido a c. 110, foi a mais ambiciosa intervencao artistica do periodo imperial. Adriano, filho adoptivo de Trajano, foi um dos imperadores romano que mais impulsionou as artes. Homem culto, intelectual e de bom gosto, dirigiu um governo pacifico que marcou o apogeu da criacao artistica imperial. Erigiu o Panteao (templo de todos os deuses), o edificio mais inovador da arquitectura Romana. Tambem mandou edificar a Villa Adriana, em Tivoli, em que se revela o seu amor pelas artes.

Foi concebida como uma autentica cidade-palacio formada por jardins exuberantes, espacos exoticos… _O simbolismo do Panteao O Panteao e a representacao da utopia de Adriano: construir em Roma um edificio em que “coubesse todo o mundo”. Este edificio emblematico tem caracteristicas, no seu tracado geometrico, que remetem para a imagem do universo e para o movimento celestial. A nivel formal, o Panteao constitui-se por dois elementos: a nivel dos solidos, surge a figura do globo (a esfera); a nivel do plano, surge o circulo.

A ordem constante do universo remete para a figura esferica (para os antigos, o cubo e a esfera eram a representacao da inteligencia divina): do quadrado ao cubo, do circulo ao cilindro, da piramide ao cone, todas as formas pareciam convergir na esfera. Suportado pela mistica dos numeros e pela geometria pitagorica, o edificio increve-se num cubo que contem uma esfera; de outro ponto de vista, a sua forma deriva de um triangulo equilatero, definindo um cone e uma piramide. _O baixo imperio _O mundo romanizado No sec.

III, devido a enorme expansao de Roma, ja locais muito distantes tinham a sua marca. No entanto, este crescimento galopante teve um fim, resultando na gradual decadencia do imperio e na consequente finalidade do mundo classico. Este periodo dividiu-se em tres fases de evolucao: a dinastia dos Severos (192-235), a anarquia militar (235-284), a tetrarquia (284-305) e o governo de Constantino (305-337). Apos as grandes realizacoes artisticas de Adriano e do seu grande refinamento artistico, Roma caiu num periodo de grande conservadorismo. Contudo, deixou algumas obras bastante importantes.

A dinastia severiana deixou as Termas de Caracala, em Roma, com cerca de 500m de lado; esta construcao e um sinal de mudanca de habitos: os banhos publicos sao introduzidos como componente social, substituindo, por